Pandemia da COVID-19: Seis anos depois, o que aprendemos quando as escolas fecharam
- Em 16 de março de 2026
Em março de 2020, o mundo parou. As escolas fecharam suas portas, as ruas esvaziaram, e a palavra “pandemia” deixou de ser um conceito distante para se tornar experiência cotidiana. Seis anos depois da declaração da COVID-19 como pandemia pela Organização Mundial da Saúde, o fechamento das escolas permanece como um dos símbolos mais potentes daquele período, não apenas pelo que interrompeu, mas pelo que revelou.
No Brasil, o impacto foi devastador. Quase um milhão de vidas perdidas deixaram marcas profundas em famílias, comunidades e instituições. Mas a pandemia também escancarou desigualdades históricas que insistíamos em tratar como exceção. Quando as escolas fecharam, ficou evidente que o acesso à educação nunca foi igual: faltaram internet, equipamentos, apoio familiar, políticas coordenadas e, sobretudo, um pacto social claro sobre a centralidade da escola.
As crianças, os adolescentes e os jovens pagaram um preço alto. A interrupção das aulas presenciais afetou aprendizagens, saúde mental, vínculos sociais e projetos de vida. Para muitos estudantes, a escola era o principal espaço de proteção, alimentação, escuta e pertencimento. Seu fechamento revelou que educar vai muito além do conteúdo curricular: envolve cuidado, presença, relações humanas e sentido.
Ao mesmo tempo, a pandemia exigiu respostas rápidas e mostrou a potência da ciência e da cooperação quando estas são levadas a sério. Em tempo recorde, vacinas foram desenvolvidas, salvando milhões de vidas e permitindo o retorno gradual à convivência presencial. Esse avanço, no entanto, conviveu com o negacionismo, a desinformação e decisões políticas que custaram caro, especialmente em países como o CE Brasil, onde atrasos na vacinação e a falta de coordenação nacional agravaram a tragédia.
Seis anos depois, alguns hábitos permanecem: o álcool em gel nas mochilas, o home office consolidado, reuniões híbridas, maior atenção à vigilância epidemiológica. Mas o maior legado da pandemia não está nos protocolos sanitários, está nas perguntas que ela deixou. Que sociedade queremos construir? Que lugar a ciência ocupa nas decisões públicas? Qual é, afinal, o papel da escola?
O fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, declarado em 2023, não encerrou a necessidade de memória. Pelo contrário: lembrar é um ato político e pedagógico. É por meio da memória que evitamos repetir erros, que honramos vidas perdidas e que reafirmamos compromissos com justiça social, equidade e cuidado coletivo.
As escolas reabriram, mas não somos os mesmos. A pandemia nos ensinou, de forma dura, que educação, saúde e democracia caminham juntas. Seis anos depois, o fechamento das escolas nos convoca a não fechar os olhos: é preciso transformar o que foi dor em aprendizado, e o aprendizado em ação concreta. O futuro, e as próximas gerações, cobrarão isso de nós.
Por Thereza Barreto – Diretora Pedagógica do Instituto Escola da Escolha

0 Comentários