Projeto de Vida e leitura literária: conexões possíveis
- Em 4 de maio de 2026
Diretora pedagógica do Instituto Escola da Escolha, Thereza Barreto, destaca literatura como eixo formativo para escolhas, identidade e equidade na escola
Durante a 7ª Jornada Pedagógica da Companhia das Letras, a Diretora Pedagógica do Instituto Escola da Escolha, Thereza Paes Barreto, participou da mesa dedicada a discutir protagonismo, Projeto de Vida e leitura literária, ressaltando a importância de tratar esses elementos de forma integrada para fortalecer a formação humana nas escolas.
Na exposição, Thereza defendeu que o Projeto de Vida não deve ser reduzido a formulários, atividades burocráticas ou decisões precoces sobre carreira. Ao contrário, trata‑se de um processo contínuo de construção de identidade e sentido, especialmente na adolescência.
Projeto de Vida como construção de sentido, não como previsão de futuro
A fala destacou que, após a BNCC, o Projeto de Vida ganhou espaço nas normativas educacionais, mas ainda enfrenta o risco de ser tratado de forma instrumental. “Quando o Projeto de Vida vira exigência administrativa ou previsão de sucesso, ele perde sentido. Seu lugar é o da formação para a escolha consciente, não o da resposta pronta sobre o futuro”, afirmou.
Leitura literária como experiência formativa e direito
A leitura literária foi apresentada como elemento central nesse processo. Longe de ser um recurso acessório ou meramente instrumental, a literatura atua como experiência estética e existencial, oferecendo linguagem para nomear a experiência humana, abrir espaço para o conflito, a dúvida e a travessia.
“A literatura ajuda a formar consciência, sensibilidade e imaginação, condições essenciais para a construção de identidade, escolhas sustentáveis e projeção de futuros com sentido”, destacou Thereza.
A leitura literária também é uma questão de equidade simbólica. Garantir o direito à experiência estética significa reduzir desigualdades historicamente construídas e assegurar que todos os estudantes tenham acesso às grandes perguntas humanas e às formas mais potentes de formulá‑las. Nesse sentido, a escola deve garantir tempo pedagógico, escuta qualificada e mediação intencional, reconhecendo que os pontos de partida dos estudantes são desiguais e que imaginar o futuro é uma aprendizagem que precisa ser sustentada.
Literatura sem elitismo e com protagonismo
Outro ponto central foi o enfrentamento à ideia de que a literatura é elitista. Segundo Thereza, o elitismo não está nos livros, mas na forma como a escola os media. A literatura deixa de ser excludente quando é tratada como direito, encontro e autoria, e não como marcador de distinção cultural. A leitura literária atua como espelho, janela e travessia: permite ao estudante se reconhecer, ampliar o olhar para outros mundos possíveis e ser deslocado de seus lugares de certeza. Esse movimento fortalece o protagonismo ao transformar o estudante em autor de sentidos, e não apenas reprodutor de interpretações estabelecidas.
O papel do educador
A fala também ressaltou o papel central do educador como leitor experiente, curador intencional e mediador sensível. Cabe à escola criar condições para encontros significativos entre estudantes e textos, sustentar o tempo da experiência e escutar, inclusive, as recusas e silêncios, que também comunicam trajetórias e processos de formação.
Educação integral como compromisso ético
Encerrando a participação, Thereza reforçou que integrar Projeto de Vida e leitura literária é uma escolha ética e política. “Sonhar, escolher e narrar a própria história não é privilégio, é direito. E a escola é o lugar onde esse direito pode se tornar experiência”, afirmou.
Confira o debate completo aqui!

0 Comentários